Devo começar a fazer algo imediatamente?

Após um diagnóstico de demência, a urgência de agir imediatamente pode parecer avassaladora. Mas você não precisa fazer nada agora mesmo. Este artigo oferece tranquilização de que há tempo para processar, ajustar e descobrir as coisas gradualmente. Pequenos passos são suficientes. Sua presença importa mais do que ter um plano.

3 min de leitura
Devo começar a fazer algo imediatamente?

O impulso de agir

Após um diagnóstico de demência, muitas vezes surge um forte impulso de fazer algo. De pesquisar, de planear, de reorganizar tudo. A mente acelera com perguntas: Devemos mudar-nos? Devemos contratar ajuda? Devemos contar a todos? Devemos começar a tratar de questões legais hoje?

Este impulso faz sentido. Quando algo parece incerto, agir pode parecer assumir o controlo. Mas aqui está algo importante a considerar: não precisa de fazer nada imediatamente.

Há tempo

A demência em fase inicial progride lentamente. As mudanças que está a ver agora não aconteceram de um dia para o outro, e as mudanças futuras também não acontecerão. Isto não é uma corrida contra o relógio. Há espaço para respirar, para processar, para resolver as coisas gradualmente.

Precipitar-se em decisões quando ainda está a absorver a notícia pode levar a escolhas que poderá reconsiderar mais tarde. Está tudo bem em esperar até se sentir mais estável antes de dar passos importantes.

O que realmente precisa de acontecer agora?

Muito pouco, na maioria dos casos. Os dias e semanas imediatamente após um diagnóstico são para se ajustar emocionalmente—não para reorganizar toda a sua vida. O seu ente querido ainda é a mesma pessoa que era na semana passada. As rotinas diárias podem continuar. A vida normal pode prosseguir.

Se existem preocupações urgentes de segurança—algo que possa causar dano imediato—essas merecem atenção. Mas a maioria das situações não se enquadra nessa categoria. A maior parte do que parece urgente é na verdade apenas ansiedade à procura de uma saída.

Pequenos passos são suficientes

Se quer fazer algo, mantenha-o pequeno. Talvez anote algumas perguntas para fazer ao médico na próxima consulta. Talvez procure informações sobre um grupo de apoio local. Talvez tenha uma conversa gentil com o seu ente querido sobre como se está a sentir.

Estes pequenos passos podem proporcionar uma sensação de progresso sem o sobrecarregar ou perturbar o sentido de normalidade do seu ente querido. Não precisa de um plano completo—apenas precisa de um próximo passo. Quando estiver pronto, pode explorar pequenas mudanças que podem ajudar nos primeiros dias.

A pressão de "estar preparado"

Existe uma crença comum de que bons cuidadores estão sempre preparados, sempre um passo à frente. Mas a verdade é que ninguém consegue preparar-se totalmente para uma jornada que ainda não fez. Vai aprender à medida que avança. Vai adaptar-se conforme as coisas mudam.

O mais importante neste momento não é ter todas as respostas. É estar presente—para si próprio e para o seu ente querido. Isso é algo que pode fazer hoje, sem qualquer preparação. Ferramentas simples para ajudar os entes queridos a encontrar objetos perdidos podem reduzir o stress diário quando estiver pronto.

Proteger a sua energia

Fazer demasiado cedo demais pode esgotá-lo num momento em que mais precisa da sua energia. Os primeiros dias após um diagnóstico são emocionalmente pesados. Tentar simultaneamente processar os seus sentimentos e reformular a sua vida é exaustivo—e desnecessário.

Dê a si próprio permissão para descansar. Para estar com a incerteza. Para não ter tudo resolvido. Haverá tempo mais tarde para fazer planos. Neste momento, está tudo bem em simplesmente ser.

Confie no processo

Vai conseguir resolver isto. Não tudo de uma vez, mas passo a passo. O caminho ficará mais claro à medida que o percorre. Por agora, liberte-se da pressão de ter soluções imediatas.

A sua presença, o seu amor, a sua disponibilidade para estar presente—isto já é suficiente. Tudo o resto pode esperar. A SBGG – Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia oferece orientação de confiança quando precisar.

Escrito por

Inês Carvalho

Inês Carvalho

A memória como prática partilhada

Escritora e investigadora focada na memória relacional, nas narrativas de cuidado e nas práticas de documentação de longo prazo. Com formação em sociologia e humanidades digitais, o seu trabalho analisa como a escrita partilhada e os registos diários fortalecem as relações, preservam o contexto e apoiam a continuidade entre gerações.

Muitas famílias vivem momentos como este sem falar sobre isso.

É por isso que existe o This Day With You.

Entender por quê